Um drone de 5 polegadas pesa 650 g e cruza um set a 120 km/h. Se ele encontrar o rosto de um figurante, o prejuízo não é a hélice: é cirurgia, afastamento e um processo que pode custar mais do que todo o seu equipamento somado. É para isso que existe o seguro RETA, e é por isso que o RBAC 100 o tornou obrigatório para quem voa a trabalho. Eu contrato o meu há anos, já precisei dele uma vez, e vou te explicar o que é o seguro RETA para drone, quem é obrigado, quanto custa, o que ele não cobre e como contratar sem cair em armadilha.
O que é o seguro RETA para drone
RETA significa Responsabilidade do Explorador ou Transportador Aéreo. É o seguro obrigatório da aviação brasileira, previsto no Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7.565/86, artigo 281), que cobre os danos que uma aeronave causa a terceiros. Quando a ANAC passou a tratar drones como aeronaves, em 2017, o RETA veio junto. O RBAC 100, em vigor desde junho de 2026, manteve a exigência no item 100.37.
Em linguagem simples: o RETA paga pelo estrago que o seu drone fizer em outras pessoas e nos bens delas. Ele não paga pelo seu drone, não paga pela sua GoPro e não paga por lucro cessante de cliente. É responsabilidade civil, do mesmo jeito que o antigo DPVAT dos carros, com valores de cobertura definidos pela SUSEP e corrigidos todo ano em junho pelo IPCA.
As duas coberturas do RETA
| Cobertura | O que paga |
|---|---|
| Danos a terceiros na superfície | Danos pessoais ou materiais causados a pessoas e bens no solo que não participam da operação |
| Abalroamento | Danos a outra aeronave, seus tripulantes e passageiros, em caso de colisão em voo |
Os valores de indenização são padronizados pela SUSEP, ou seja, iguais em qualquer seguradora. Não dá para contratar um RETA “mais forte”. Para cobertura acima desses limites existe o LUC, que explico adiante.
Quem é obrigado a ter o seguro RETA

A regra do RBAC 100 e da Resolução 806 se resume a duas perguntas:
- Você recebe algo pelo voo? Dinheiro, permuta, serviço, cachê, qualquer contrapartida. Se a resposta é não, o uso é recreativo e o seguro é dispensado. Eu recomendo contratar mesmo assim, mas a lei não obriga.
- O drone pesa mais de 250 g? Se o uso é não recreativo e o drone passa de 250 g, o RETA é obrigatório antes do primeiro voo. Com drone de até 250 g, voando em linha de visada e até 120 m, a ANAC dispensa o seguro mesmo em uso profissional.
Na prática, para quem voa FPV a trabalho, a resposta é sempre sim. Um cinewhoop de 3 polegadas com bateria e câmera passa de 250 g com folga. O DJI Avata 2 pesa 377 g. Qualquer 5 polegadas está na casa de 600 a 800 g.
Pontos que pegam muita gente:
- Uma apólice por drone. O seguro é vinculado ao número de série e ao código do SISANT. Três drones, três apólices.
- Cadastro PP exige RETA. Se o seu drone está no SISANT como PP (não recreativo) e pesa mais de 250 g, voar sem seguro é operação ilegal, mesmo com SARPAS aprovado. Veja como cadastrar o drone no SISANT para escolher o prefixo certo.
- Vigência de 12 meses. O seguro não acompanha o cadastro de 24 meses da ANAC. Anote a renovação.
- Fora da regra, sem cobertura. A apólice não paga danos em voo fora dos limites autorizados: acima da altura aprovada, sem SARPAS, em área proibida ou com drone sem homologação. Seguro não substitui regularização.
RETA, Casco e LUC: qual seguro para drone contratar

Existem três produtos no mercado e eles não concorrem entre si: se complementam.
| Seguro | Obrigatório? | O que cobre | Para quem |
|---|---|---|---|
| RETA | Sim, em uso não recreativo acima de 250 g | Danos a terceiros e abalroamento, com valores fixos da SUSEP | Todo piloto que trabalha com drone |
| Casco | Não | Danos ao próprio drone em voo: queda, colisão, água, incêndio. Até US$ 50 mil, drones com até 5 anos | Quem voa equipamento caro ou em ambiente de risco |
| LUC | Não | Camada extra acima do RETA, a partir de R$ 1 milhão de importância segurada | Sets de filmagem, eventos, área urbana, contratos com grandes empresas |
O LUC (Limite Único Combinado) só pode ser contratado por quem já tem o RETA. Produtoras grandes e agências costumam exigir LUC no contrato, porque os limites do RETA são baixos para um acidente com pessoa em set de gravação.
O Casco exige nota fiscal ou invoice do drone e cobre apenas danos em operação. Para drone FPV montado, a cotação é caso a caso, porque a seguradora precisa de um valor de referência. Na minha experiência, vale para cinewhoop com câmera cara e para equipamento acima de R$ 10 mil. Para um freestyle de 5 polegadas que você mesmo conserta, o Casco raramente compensa.
Se você quer filmar com FPV de forma profissional e ainda não sabe por onde começar, esta formação foi feita para você.
Quanto custa o seguro RETA para drone
O prêmio anual do RETA para drone na faixa de 250 g a 25 kg gira entre R$ 490 e R$ 1.000, dependendo da seguradora, da corretora e de parcerias com escolas e associações. O valor é o mesmo para qualquer drone dessa faixa de peso, seja um Mini de 300 g ou um 7 polegadas de 1,5 kg, porque a cobertura é padronizada.
O que muda o preço:
- Parcerias. Escolas e clubes negociam descontos coletivos com corretoras. Vale perguntar antes de fechar.
- Frota. A partir de alguns drones, é possível uma apólice única com desconto.
- Pagamento. Boleto à vista ou parcelado em até quatro vezes, conforme o prêmio.
Comparado ao risco, é o item mais barato da sua regularização. Um único atendimento de emergência custa mais do que dez anos de RETA.
Como contratar o seguro RETA com a Aeroconsult
O RETA para drone é emitido por seguradoras como Allseg e Mapfre, mas o caminho mais prático é uma corretora especializada em seguro aeronáutico, que conhece a norma e resolve as exigências do SISANT e da Anatel sem você precisar explicar. A que eu uso e indico é a Aeroconsult Seguros, corretora registrada na SUSEP e uma das primeiras a estruturar o RETA para drones no Brasil.
Documentos e dados necessários
Tenha em mãos antes de preencher a cotação:
- Dados completos do segurado: nome ou razão social, CPF ou CNPJ, endereço, e-mail e telefone.
- Dados do drone: marca, modelo, número de série e ano.
- Código do SISANT (prefixo PP, já que é uso não recreativo).
- Código de homologação da Anatel do drone. Para FPV montado com homologação de uso próprio, o número do certificado.
- Finalidade da operação: filmagem, inspeção, aerolevantamento, agrícola e assim por diante.
Passo a passo
- Acesse a página de cotação online do seguro RETA para drones da Aeroconsult e preencha o formulário com os dados acima.
- Receba a proposta com o prêmio e as condições por e-mail.
- Confirme a contratação. A seguradora emite o boleto da primeira parcela.
- A cobertura começa a valer a partir do pagamento do prêmio, ou da primeira parcela se for parcelado. Guarde o comprovante: ele é o documento provisório até a apólice sair.
- A apólice é emitida em cerca de 30 dias após a identificação do pagamento, junto com os boletos restantes.
- Salve a apólice em PDF no celular e na sua carteira de documentos. Ela tem porte obrigatório na operação.
Se você quiser a cobertura extra, preencha também o questionário de seguro LUC no mesmo site, informando a importância segurada desejada, com mínimo de R$ 1 milhão.
Alterações e renovação
A apólice permite substituição de aeronave, inclusão ou exclusão de operador, correção de dados e cancelamento. Se você trocou de drone no meio do ano, não precisa contratar outro seguro: peça a substituição. Boleto atrasado pode ser atualizado pelo site do banco emissor ou diretamente com a corretora.
O que fazer em caso de acidente
Ter o seguro é metade; saber usar é a outra. O que eu aprendi na prática:
- Preserve a cena e registre tudo. Fotos do local, do drone, do dano e dos envolvidos. Anote nomes e contatos de testemunhas.
- Não assuma culpa nem negocie no local. Preste socorro, acione emergência se precisar, e deixe a responsabilidade para a apólice.
- Comunique a corretora no mesmo dia. O prazo para aviso de sinistro é curto e o atraso pode complicar a cobertura.
- Reúna a documentação do voo. Autorização do SARPAS, certidão do SISANT, apólice, análise de risco e plano de voo. É isso que prova que a operação estava dentro da regra, e sem isso a seguradora pode negar.
É por esse último ponto que eu guardo tudo no DroneCoord: a carteira digital reúne certidão, apólice, homologação e autorizações, e a função Operações gera um link com o pacote completo de cada voo. Quando precisei acionar o seguro, mandei o link e pronto.
Perguntas Frequentes
O seguro RETA é obrigatório para drone recreativo?
Não. O RBAC 100 exige o seguro contra danos a terceiros apenas em operações não recreativas. Quem voa por lazer está dispensado, embora o seguro seja recomendado porque a responsabilidade civil por danos a terceiros existe mesmo no hobby, pelo Código Civil. Drone de até 250 g em VLOS e até 120 m também é dispensado no uso profissional.
Quanto custa o seguro RETA para drone?
O prêmio anual fica entre R$ 490 e R$ 1.000 para drones de 250 g a 25 kg, dependendo da corretora, da seguradora e de descontos por parceria ou frota. O valor é o mesmo para qualquer drone dessa faixa porque as coberturas são padronizadas pela SUSEP. O pagamento pode ser à vista ou em até quatro parcelas no boleto.
O RETA cobre danos ao meu próprio drone?
Não. O RETA cobre exclusivamente danos a terceiros no solo e abalroamento com outras aeronaves. Para proteger o equipamento contra queda, colisão ou água, existe o seguro Casco, opcional, que cobre até US$ 50 mil em drones de até cinco anos e exige nota fiscal ou invoice do equipamento.
Preciso de uma apólice para cada drone?
Sim. O seguro RETA é vinculado ao número de série e ao código do SISANT de cada aeronave. Quem opera vários drones precisa de uma apólice para cada um ou de uma apólice de frota, que algumas seguradoras oferecem com desconto. A troca de drone pode ser feita por substituição na apólice existente.
Quando a cobertura do RETA começa a valer?
A partir do pagamento do prêmio ou, no parcelado, da primeira parcela. A apólice formal sai em cerca de 30 dias, mas o comprovante de pagamento já serve como prova provisória. Não voe a trabalho entre a cotação e o pagamento: nesse intervalo você ainda está sem cobertura.
O seguro paga se eu estava voando sem SARPAS?
Em regra, não. As apólices excluem danos ocorridos em operações fora da regulamentação: sem autorização do espaço aéreo, acima da altura aprovada, em área proibida ou com equipamento não homologado. O seguro protege o piloto regular. Por isso, antes de contratar, veja o guia completo da legislação de drones.
Se você já perdeu dinheiro com equipamento que não sabe usar direito, está na hora de aprender do jeito certo — rápido, estruturado e com quem voa de verdade.
O documento mais barato que você vai levar na mochila
O seguro RETA para drone custa menos do que uma bateria 6S boa por mês e é a única coisa entre você e um processo que pode durar anos. Ele é obrigatório para quem trabalha, é inteligente para quem voa por hobby em lugar com gente, e é inútil para quem voa fora da regra, porque a apólice não cobre operação irregular.
Cadastre o drone como PP, cote com uma corretora que entende de aviação, pague a primeira parcela antes do primeiro trabalho e guarde a apólice junto com o SARPAS e o SISANT. Depois disso, o seu único problema no set vai ser acertar o take.
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